Bubble Gum, da Lolita Pille é bom. Mas é meio diferente de Hell. As ferramentas narrativas utilizadas não são as mesmas e nem o objetivo do livro. O que mais me impressionou nele, que é metade narrado por Manon - a personagem principal, menina do interior que quer ser atriz pra poder mudar de pele, e que pra isso venderia a alma ao diabo -, metade narrado por Derek - beligerante dono de meio mundo, filho de argentino com uma francesa, que um dia, tem a idéia de destruir uma vida, destruir todos os sonhos e as esperanças de alguém até tornar esse alguém oco (ou seja, o diabo a quem Manon vende a alma) - , é que as partes narradas por Derek são muito melhores, muito mais sensíveis, verdadeiras. O personagem masculino de Lolita é muito mais verossímel. Isso, porque a estupidez e a superficialidade de Manon soam falsas. Não colam, não num livro da Lolita, onde os mais fúteis têm sempre filosofia vibrando por dentro. Como se espera, quando Manon chega muito perto de atingir o fundo do poço, quando desce o máximo que pode antes que fique louca e seja abandonada sobre os escombros do seu mundo, Derek se apaixona por ela e faz de tudo para reverter o processo. Contudo, lembre-se sempre que nas histórias malditas de Lolita não há espaço para happy endings. E então, tudo tem que ser virado de cabeça pra baixo. Minha vida é uma farsa, assim como a sua.
Na verdade, a história é só uma alegoria que corrobora a crítica da autora à questão das celebridades, dos artistas, da música, do cinema fabricados. Da vida de mentira. E ela ilustra perfeitamente.
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3 comentários:
Tem três... mas falta algo...
viva, blog
viva!
para mim, um dos trechos mais interessantes é quando a Mano vê, saindo do banheiro, pouco após o Tarantino, "aquela puta da Lolita".
uma escritora mau humorada que não poupa nem a si própria merece, no mínimo, aplausos, muitos aplausos.
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