26.9.06

Barrados no Baile

Era um garoto com um black e um beck. Usava o mesmo casaco em todas as festas. Sorria e a gente se derretia. Falava e a gente se apaixonava. Tanto é que, na noite em que a primeira tomou coragem, a outra foi logo atrás e disse, assim mesmo, cutucando no ombro: “Agora é a minha vez”. Depois ficou com vergonha de encontrar com ele pelos corredores. Tinha inventado histórias. Iludido o menino, coitado.
Eu que não quis nada com o sedutor. Pra depois me arrepender ao ver aquela loura agarrada, pendurada, enganchada no pescoço dele. Engolindo, apertando, lambendo, amassando ele contra o murinho. Quando ele desapareceu, eu, cheia de esperanças, disparei atrás. Em vão.

Só me sobrou o guardanapo, já que ele me abraçou, derreteu meu coração, mas me deixou sozinha na pista, abandonada ao batidão.