28.6.12

Introduction to Ernest Hemingway's "Hills Like White Elephants"

Fiction must be based on actual experience, Hemingway insisted, for "a writer's job is to tell the truth" and a good story "should produce a truer account than anything factual could be".

10.6.12

Red red red

Os meus dedos do pé pintados de vermelho parecem ridículos agora que eu arranquei toda a roupa que eu tinha demorado tanto pra escolher e me enfiei sozinha entre as cobertas.
Minhas unhas simplesmente se recusam a combinar com o Mickey e a Minnie que estampam minha camisola, felizes de mãos dadas em algum ponto dos anos 50.
Confesso que, sempre que sinto saudades, eu vejo seus vídeos. Assisto, volto, repito, reconheço uma expressão e outra. É claro que essa persona que eu vejo não é exatamente a pessoa que eu conheço - mas eu também não te conheço de verdade, então...

Então, a verdade é que eu imaginava que chegaria lá hoje e você já estaria tocando. A casa cheia, você me reconheceria no meio da multidão e seus olhos imediatamente se iluminariam. Assim que fosse a vez de uma música que é cantada por ela e não por ti, você arranjaria um jeito de me pedir pra, por favor, te esperar até o final do show. Eu esperaria e nós seríamos felizes para sempre.
(Ou pelo menos até amanhã.)

E aí eu pensei.
E resolvi que era melhor ficar em casa mesmo.

7.6.12

Maio

A gente estava super feliz. Eu, a minha melhor amiga, a minha nova melhor amiga, os amigos delas e os outros que tínhamos acabado de conhecer. Todos felizes com a ajuda de substâncias mágicas e de horas dedicadas ao ócio. Era madrugada e estávamos num bar. Um bar lotado, as pessoas de pé na rua, os carros passando rente aos bêbados. O banheiro, um nojo. A fila, um capítulo à parte.
E aí ele apareceu. Eu o vi primeiro e, feliz que eu estava, apontei bem no meio da cara dele e o mostrei pra todas as minhas amigas. Ele viu, abanou a cabeça e riu. Mais cedo, no outro bar, a gente falava da beleza que era a juventude, principalmente quando contemplada em oposição ao criador da rosa que me foi oferecida e seus companheiros de mesa.

O das substâncias mágicas foi, voltou e nos perguntou se ainda estávamos lá. E sim, estávamos, sem a menor ideia de quanto tempo já tinha se passado.
Aí, sei lá.
Aí eu senti alguém atrás de mim, me virei e era ele. Aí ele falou. Eu não ouvi nada. Eu só sei que ele fez como da primeira vez. Foi conversando e chegando mais perto e conversando e chegando mais perto até que quem o beijasse fosse eu. Só que da primeira vez eu ouvia o que ele dizia.

Da primeira vez, eu estava morrendo de vontade de fazer xixi. Era quarta-feira de cinzas e eu já estava no meu segundo bloco do dia, o último do carnaval. Já tinha estado sóbria e bêbada incontáveis vezes ao longo do dia. O desespero assolava todas as almas, que inevitavelmente contemplavam o inóspito futuro que as aguardava além do sábado de aleluia. Eu fugia de um médico inteligente, rico e bem-educado que beijava terrivelmente mal.
Aí eu o vi e, naturalmente, contei tudo isso pra ele. Ele não aparentava ter a idade que tem - vocês, por favor, tem que entender. Os beijos dele, minha gente. Os beijos dele eram metalinguísticos.