18.12.12

"Get Me Away From Here I'm Dying", Belle & Sebastian

Oh, I’ll settle down with some old story
About a boy who’s just like me
Thought there was love in everything and everyone
You’re so naive!
After a while they always get it
They always reach a sorry end
Still it was worth it as I turned the pages solemnly, and then
With a winning smile, the boy
With naivety succeeds
At the final moment, I cried
I always cry at endings

Oh, that wasn’t what I meant to say at all
From where I’m sitting, rain
Washing against the lonely tenement
Has set my mind to wander
Into the windows of my lovers
They never know unless I write
“This is no declaration, I just thought I’d let you know goodbye”
Said the hero in the story
“It is mightier than swords
I could kill you sure
But I could only make you cry with these words”

9.11.12

Misunderstanding

No 4° episódio da série Misunderstanding, ela não entende se:
a) ele avisou a ela que ia atender uma ligação lá fora e já voltava.
b) ele chamou ela pra ir com ele atender uma ligação lá fora.
c) ele deu um perdido nela.
d) todas as anteriores.
e) nenhuma das anteriores.

3.11.12

the eye of the beholder

Poema só para Renata P.

o ideal
de beleza inalcançável
da magreza insustentável
você estende até

o ídolo do passado
que outrora muito magro
hoje exibe feliz
sua pança protuberante

o gato
que antes só orelha
agora come meio quilo
de ração por semana

oh Renata será que você não vê
que é quase feia de tão falsa
essa beleza cinco-estrelas da revista da tv?

o trabalho
a praia
a lapa
você

os braços finos
as costelas aparentes
a barriga chapada
a cabeça a mil

"Poema só para Jaime Ovalle"
Manuel Bandeira 
Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei.
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando...
- Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.

22.9.12

Sobre a dúvida

Os carros zunem pela Avenida Nossa Senhora de Copacabana, bem rente à calçada. São tantos e tão rápidos que ultrapassam a legião que jorra dos meus fones e penetram pelos meus ouvidos, atropelando os pensamentos que nadavam descompromissados de um lado pro outro da minha cabeça, no ritmo nostálgico da música.
Eles não fogem assustados, como seria de se esperar, mas persistem, se agarrando às bordas com força. Não chegam a calar o ruído exterior, mas tampouco parecem dispostos a se deixar afogar.
Tudo ao meu redor vacila. Minha vida pensada, minha vida vivida. A verdadeira e a errada.
De repente me vem a necessidade incontrolável de sentar ali mesmo naquele bloco de cimento circular junto ao meio-fio, puxar uma folha de papel de dentro da bolsa e escrever.
Escrever sobre a vitrine daquela loja de roupa de cama na esquina da Constante Ramos que representa o interior de um quarto incrivelmente mais caseiro e confortável do que qualquer quarto real possa parecer.
Escrever sobre os dois meninos de rua sentados num banco na Dias da Rocha, cuja outra extremidade é ocupada por outros dois meninos, esses mais velhos e mais bem-vestidos, que parecem estar sendo entrevistados por outros dois meninos que tiram fotos e fazem perguntas. Sobre a cor deles e das roupas deles e sobre como a luz do poste ao lado do banco cai sobre cada um deles nesta noite chuvosa e abafada.
Escrever sobre como, em alguma volta do caminho, eu acabei dando a volta mais comprida e fui me encontrar de novo só mais tarde. Ou não. Sobre a vida nessa cidade grande, clichê, cruel e impessoal. Sobre o tempo. Sobre a dúvida.
Escrever sobre a velha que, na altura da Figueiredo, começa animadamente a puxar assunto sobre temas que abrangem desde os moradores de rua até suas netas, passando pelo conteúdo das suas várias sacolas. O que eu ouço não tem muita coerência, mas a essa altura eu já não estou mais disposta a fazer perguntas ou a remover os fones de ouvido pra compreender melhor.
Sentar e escrever agora porque eu sei que, quando o momento passar, nada vai soar assim tão honesto.

22.8.12

A estranha arte

de beijar a si mesmo enquanto se beija um outro.

Veja o hino aqui.

6.8.12

Metonimicamente

Inúmeras vezes, eu confundo o farol do carro do meu pai com o olhar dele. Como agora, quando espero que ele surja naquela curva ali. Os faróis olham pra mim ao passar, as grades dos motores respiram o meu odor, as rodas caminham na minha direção.
Quando o que aponta na esquina tem modelo e cor iguais ao de algum que já pertenceu a ele, meu coração dispara em antecipação antes que o meu cérebro lembre ao resto do corpo de que não é mais aquele o carro que ele dirige.
Quando o carro é idêntico ao que ele tem agora, quando passa pelos filtros da visão e da memória através dos quais meus olhos e cérebro o testam, minhas pernas imediatamente disparam atrás do veículo antes que - em meio à corrida - eu consiga enxergar a outra família que há dentro dele, o outro pai (e nenhuma mãe) ao volante. Faço isso uma, duas, três vezes antes que o carro do meu pai apareça.
Quanto mais ele se aproxima, mais patético se revela o meu medo de que ele não me reconheça e me deixe lá. Esquecida numa calçada na Barra da Tijuca, num domingo chuvoso, onde tudo ao meu redor cospe fumaça.
O fato é que, provavelmente, o meu pai me viu logo que fez a curva. Ele vem devagarzinho pela pista mais próxima à calçada. Pisca o farol uma, duas, três vezes. Depois, com um esforço que é quase como o de um malabarista pro seu corpo pesado, ele segura o volante com uma só mão e se estica majestosamente para abrir a porta do passageiro.
Mas não nos esqueçamos de que este é o meu pai. Portanto, assim que eu pulo pra dentro, com o carro meio que ainda em movimento, ele franze a testa e reclama. Reclama com preocupação típica de quem só dirige em tráfego de cidade pequena: eu não podia ter demorado tanto pra entrar e ele, na verdade, não devia nem estar tentando parar ali, com todos aqueles carros. Vindo, assim, atrás.

2.7.12

"Vermelho", Marcelo Camelo

Às vezes
Eu só quero descansar
Desacreditar no espelho
Ver o sol se pôr vermelho

28.6.12

Introduction to Ernest Hemingway's "Hills Like White Elephants"

Fiction must be based on actual experience, Hemingway insisted, for "a writer's job is to tell the truth" and a good story "should produce a truer account than anything factual could be".

10.6.12

Red red red

Os meus dedos do pé pintados de vermelho parecem ridículos agora que eu arranquei toda a roupa que eu tinha demorado tanto pra escolher e me enfiei sozinha entre as cobertas.
Minhas unhas simplesmente se recusam a combinar com o Mickey e a Minnie que estampam minha camisola, felizes de mãos dadas em algum ponto dos anos 50.
Confesso que, sempre que sinto saudades, eu vejo seus vídeos. Assisto, volto, repito, reconheço uma expressão e outra. É claro que essa persona que eu vejo não é exatamente a pessoa que eu conheço - mas eu também não te conheço de verdade, então...

Então, a verdade é que eu imaginava que chegaria lá hoje e você já estaria tocando. A casa cheia, você me reconheceria no meio da multidão e seus olhos imediatamente se iluminariam. Assim que fosse a vez de uma música que é cantada por ela e não por ti, você arranjaria um jeito de me pedir pra, por favor, te esperar até o final do show. Eu esperaria e nós seríamos felizes para sempre.
(Ou pelo menos até amanhã.)

E aí eu pensei.
E resolvi que era melhor ficar em casa mesmo.

7.6.12

Maio

A gente estava super feliz. Eu, a minha melhor amiga, a minha nova melhor amiga, os amigos delas e os outros que tínhamos acabado de conhecer. Todos felizes com a ajuda de substâncias mágicas e de horas dedicadas ao ócio. Era madrugada e estávamos num bar. Um bar lotado, as pessoas de pé na rua, os carros passando rente aos bêbados. O banheiro, um nojo. A fila, um capítulo à parte.
E aí ele apareceu. Eu o vi primeiro e, feliz que eu estava, apontei bem no meio da cara dele e o mostrei pra todas as minhas amigas. Ele viu, abanou a cabeça e riu. Mais cedo, no outro bar, a gente falava da beleza que era a juventude, principalmente quando contemplada em oposição ao criador da rosa que me foi oferecida e seus companheiros de mesa.

O das substâncias mágicas foi, voltou e nos perguntou se ainda estávamos lá. E sim, estávamos, sem a menor ideia de quanto tempo já tinha se passado.
Aí, sei lá.
Aí eu senti alguém atrás de mim, me virei e era ele. Aí ele falou. Eu não ouvi nada. Eu só sei que ele fez como da primeira vez. Foi conversando e chegando mais perto e conversando e chegando mais perto até que quem o beijasse fosse eu. Só que da primeira vez eu ouvia o que ele dizia.

Da primeira vez, eu estava morrendo de vontade de fazer xixi. Era quarta-feira de cinzas e eu já estava no meu segundo bloco do dia, o último do carnaval. Já tinha estado sóbria e bêbada incontáveis vezes ao longo do dia. O desespero assolava todas as almas, que inevitavelmente contemplavam o inóspito futuro que as aguardava além do sábado de aleluia. Eu fugia de um médico inteligente, rico e bem-educado que beijava terrivelmente mal.
Aí eu o vi e, naturalmente, contei tudo isso pra ele. Ele não aparentava ter a idade que tem - vocês, por favor, tem que entender. Os beijos dele, minha gente. Os beijos dele eram metalinguísticos.

25.4.12

Nine out of ten film stars

make me cry. I'm alive.

Memory Mambo, Achy Obejas

"Why do you believe him?"

Nena shrugged."I just do, he's not a liar."

I guffawed. "Nena, everybody in our family's a liar," I said. "Mami and Papi make up stuff about the duct tape fortune, Caridad lies about Jimmy, Jimmy lies about everything, Patricia lies about Titi, god knows both Tío Raul and Pauli both have tons of secrets, and hey, you're lying about Bernie. Everybody's dancing around the truth. I mean, how do you wander through it all? How do you tell Bernie about your family? What do you say?"

"Well, I just tell Bernie what's true for me, and I let him know I have doubts, and that there are varying stories," Nena said. "For example, if I were gonna tell him about Titi and Patricia, I'd tell him Manolito's story and then maybe your story, and then my story - what I believe -and by the end there's a new story - Bernie's."

I shook my head. "Very relative," I said. " It must take forever to tell all the stories."

"Hey, we're into communicating, okay?" she said with a chuckle. "It's sort of like singing 'Guantanamera' - everybody gets a chance to make up their own verse."

"Memory mambo," I said, one hand in the air, the other on my waist as if I were dancing, "one step forward, two steps back - unnngh!"